Criança morreu soterrada em Juazeiro levando o sonho de possuir um celular com o seu próprio suor

Sonho interrompido

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Patrício morreu soterrado esta tarde em Juazeiro (Foto: Reprodução/Redes sociais)

A labuta diária de Patricio José Lima Moreira, de 12 anos, tinha um importante motivo para ele: O sonho de possuir um aparelho celular. O garoto não via a hora de, um dia, ter a condição de ir até à loja comprá-lo sabendo que, naquele dinheiro, estava o resultado do seu próprio suor. Ao morrer soterrado na tarde desta segunda-feira, enquanto trabalhava perto de sua casa no Conjunto São Sebastião 2 (Betolandia em Juazeiro do Norte, o mesmo levou consigo esse desejo de consumo.

O corpo raquítico e fragilizado pela má alimentação não o desanimava a sair de sua residência todos os dias com uma pá nas costas e uma lata na mão. Patrício se juntava com outros dois amiguinhos com os quais dividia a diária de R$ 25,00 na tarefa de retirar areia de um barranco e aterrar calçadas de moradores do conjunto que os contratavam. Uma história curta de vida, porém honrada em que jamais passou por sua cabeça enveredar pelo submundo do crime mesmo diante de um contexto de risco.

Sempre muito cansado, voltava para a casa desprovida de conforto. Uma cadeira, três redes e algumas panelas vazias denunciavam a pobreza. Quando conseguia juntar algo pensando no seu celular não se furtava em ajudar a mãe desempregada e separada do pai que ele tanto gostava, mas o contato com ele ficava só na vontade. Com o aparelho, quem sabe, se tornaria mais fácil. Uma separação que lhe causou dores e o fez morar um tempo com a sua avó bastante idosa e, hoje, morando em Caririaçu.

A escola ficou distante da nova casa e a Prefeitura não garantiu o transporte escolar prometido. Quando era possível, Patrício juntava os livros e seguia pela manhã desde o bairro Betolandia até à Escola José Ferreira de Menezes na Vila Fátima. Nem a longa caminhada e nem mesmo as notas ruins o desanimavam a prosseguir nos estudos. Na manhã de hoje, esse esforço de vida e sofrimento foram sepultados no Cemitério São João Batista. Mas que o exemplo de determinação de Patrício fique para muitas crianças como ele foi um dia.

Texto Demontier Tenório

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