Chegada das águas do Rio São Francisco ao Ceará pode atrasar

Comportas fechadas

Barragem de Tucutu, na cidade pernambucana de Cabrobó, em Pernambuco, cuja comporta foi fechada na noite da última sexta-feira (Foto: Reprodução)

Cabrobó (PE) A chegada das águas da transposição do Rio São Francisco ao Ceará, prevista para janeiro próximo, pode atrasar mais ainda. Desde a noite da última sexta-feira (6), estão fechadas as comportas da estação de controle da barragem de Tucutu, em Cabrobó, Pernambuco.

O ato se deu por um grupo de empresários e comerciantes que alegam não terem sido pagos pelos serviços executados naquele trecho. Isso envolve desde proprietários de restaurantes e lavanderias até empresas fornecedoras de material de construção.

A intervenção ocorre no Eixo Norte, por onde deverá chegar as águas do Rio São Francisco, a partir da divisa dos estados de Ceará e Pernambuco. O empresário Lauro Carvalho Júnior, proprietário de uma das empresas prejudicadas, informou que o fechamento aconteceu porque um grupo de credores da região, desde o inicio deste, ano vem negociando sem sucesso com o Ministério da Integração Nacional e com a Construtora Mendes Junior, que abandonou a obra, sendo agora substituída pelo consórcio Emsa-Siton.

Os credores afirmam que foi proposto pelo Ministério, juntamente à empresa Mendes Júnior, um acordo para pagamento destes créditos, algo em torno de R$ 24 mil. Em março passado, em reunião realizada em Salgueiro, houve o comprometimento de pagar contas que variam de R$ 30 mil a R$ 1 milhão. Ao todo, são 106 empresas, envolvendo cerca de 2 mil funcionários. Desse total, 10% são de empreendedores cearenses. Para tanto, foi sugerido que os credores acionassem a Justiça, no intuito do pedido de bloqueio do valor a ser pago, em que nem a Mendes nem o Ministério contestariam o resgate.

“Após promovida tal ação, o Ministério passou a não cumprir os acordos que sucederam após várias tentativas, sendo quatro delas no Ministério da Integração, culminando com a negativa dos créditos existentes”, afirmou Lauro.

Com isso, ele disse que a estratégia tem sido inibir a continuação da obra, de modo a pressionar o governo para honrar o que foi acertado. “Os credores organizadores já têm ainda em segredo, várias ações a realizarem em pontos estratégicos do projeto e buscarão sensibilizar a opinião pública até que seja cumprida integralmente a quitação dos débitos, para que os mesmos possam quitar dividas com funcionários”, destacou.

O impacto desse impasse para o Ceará, de acordo com Lauro, é que atrasará ainda mais a chegada das águas até mesmo à divisa com o Estado. A expectativa, segundo ele, é que, ao invés de fim de dezembro, isso ocorra somente no fim de 2018. “Considerando a atual reserva do Castanhão, isso aumentará o caos no abastecimento das cidades cearenses”. O titular da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Francisco Teixeira, afirmou que foi informado pelo Ministério da Integração Nacional a respeito da interrupção provocada nas comportas.

Ele disse que também recebeu fotografias que acusam vandalismo e procedimentos que atentam com a integridade do patrimônio público.

“Entendemos que as reivindicações são próprias do estado de direito e é evidente que quem trabalhou quer recebeu seu vencimento. Agora, o que não pode ocorrer é que essas ações atrapalhem a obra”. Teixeira disse que foi cético quando se falou que as águas chegariam ao território cearense já em dezembro. Lembrou que o cenário mais realista seria maio, mas o novo contrato para a conclusão da obra prevê até o fim de julho de 2018.

Ministério da Integração

Em nota, o Ministério da Integração diz que está analisando as medidas legais cabíveis e também todos os prejuízos causados para que as comportas sejam reabertas o mais rápido possível. O órgão explicou que, “devido aos danos nas mangueiras, foi verificado vazamento de óleo no Reservatório de Tucutu. Para garantir a segurança das pessoas e da estrutura, as equipes técnicas do Ministério optaram por fechar a comporta responsável pela passagem da água do Rio São Francisco para os canais subsequentes”. O Ministério afirma que não há passivos seus em relação à empresa Mendes Jr.

“Ao contrário: a empresa é que tem dívidas pendentes com a Pasta, referentes a multas por readequação de preços e a penalidades contratuais. Os valores totais das dívidas da Mendes Jr. Com o Ministério da Integração superam os R$ 200 milhões”.

Fonte Diário do Nordeste Site Miséria

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